Balanço Geral

22/11/2009 por hiperinterativos

O primeiro simpósio ABCiber que participo e o saldo é extremamente positivo.
Não imaginei, em um evento sobre cibercultura, ouvir tanto sobre perspectivas metodológicas e Bruno Latour. Algumas mesas foram emblemáticas neste sentido: os professores Theophilos Rifiotis (UFSC) e Erick Felinto (UERJ) deixaram clara a necessidade de buscar inspirações etnográficas e métodos alternativos para as pesquisas das redes sociais formadas a partir do ciberespaço. A Teoria Ator Rede, Bruno Latour e a etnografia virtual estiveram sempre presentes entre as propostas apontadas pelos pesquisadores.

De Bauru, em outro evento na mesma semana, volto com ótima impressão do Mestrado em Televisão Digital da FAAC-UNESP, que nem mesmo formou sua primeira turma e já desenvolve projetos interessantes no mix tecnologia, comunicação e educação. Da professora Cosette Castro, ouvi uma oportuna reflexão: não adianta nos prendermos às dificuldades de agora, com visão simplesmente focada no hoje, importante, sim, pensarmos para além do nosso tempo.
Da cidade, uma foto do belo parque Vitória Régia.

1° Simpósio Internacional de Televisão Digital

06/11/2009 por hiperinterativos

SIMTVD

O 1° Simpósio Internacional de Televisão Digital será realizado no campus da UNESP de Bauru de 18 a 20 de novembro. Promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Televisão Digital da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação, FAAC, o evento pretende discutir a produção de conteúdos para plataformas digitais, em especial para a televisão digital, o potencial sócio-cultural e econômico das novas tecnologias, bem como sua aplicação na prática de Ensino a Distância (EaD).
http://www2.faac.unesp.br/pesquisa/lecotec/eventos/simtvd/

O espectador como produtor de conteúdo

04/10/2009 por hiperinterativos

No quarto capítulo de seu livro, Cultura da Convergência, o escritor americano Henry Jenkins trata das produções amadoras ou de produtores independentes que se inspiram nos produtos oficiais lançados no mercado audiovisual. O que Jenkins enfatiza é que a expansão e consumo de novas tecnologias que agregam funções múltiplas, possibilitam que o usuário torne-se um emissor de conteúdo em potencial e esse conteúdo tem como principal meio de distribuição a internet. Para ele, “a web proporciona um poderoso canal de distribuição para a produção cultural amadora. Os amadores têm feito filmes caseiros há décadas; agora, esses filmes estão vindo a público” (p. 181)

O autor toma como exemplo as várias produções feitas a partir dos filmes Star Wars (Guerra nas Estrelas) e de como foi criado um mercado paralelo, por assim dizer, de produções alternativas, feitas por fãs, que fazem desde paródias filmadas em casa até produções dignas de Hollywood como George Lucas in Love, feita por um estudante de cinema da University Southern Califórnia (USC).

Assim, Jenkins desmembra as relações travadas entre consumidores e empresários do entretenimento, ponderando as vantagens e desvantagens que tais produções trazem para a indústria do audiovisual. uma coisa é certa, Star Wars não seria o sucesso que é, não fosse toda essa repercussão gerada, principalmente, pelas produções alternativas.

Alguns empresários já atentaram para o caráter publicitário e viral que esse tipo de produção tem. Um caso emblemático, na indústria da música, é o videoclipe “single ladies” da cantora Beyoncé Knowles que tem inúmeras reproduções postadas no youtube.

No Brasil, temos exemplo semelhante com a repercussão da “dança do siri”, criada pelos humoristas do programa Pânico na TV, que foi reproduzida por pessoas em todo o Brasil, dando visibilidade ao programa em outras mídias.

Mais do que estimular a reprodução dos produtos pelos fãs e telespectadores, a televisão, agora busca produções colaborativas, onde o telespectador participe da construção da narrativa como na série Norma, estrelada pela atriz Denise Fraga, que estréia hoje no programa fantástico, da Rede Globo.

Para Jenkins, as opções de mídias crescem constantemente, portanto, é mais seguro que as empresas incentivem a participação dos fãs para garantir fidelidade. “No futuro, produtores midiáticos terão de se ajustar às exigências de participação do consumidor, ou correrão o risco de perder seus consumidores mias ativos e entusiasmados” (p.183)

 

Polyana Amorim

Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual

28/09/2009 por hiperinterativos

Acontece na ECA/USP, em São Paulo, de 6 a 10 de outubro, o Encontro da Socine/2009.

Pelo link (e leitura dos resumos) é possível entender um pouco do que será discutido. http://www.socine.org.br/adm_2009/horas.asp

Para quem puder participar, as inscrições para os ouvintes serão feitas no local, dias 6 e 7.

Cultura móvel: ‘o futuro já começou’

06/09/2009 por hiperinterativos

Nada do que direi aqui é novidade, principalmente aos pesquisadores da comunicação, cibercultura e tecnologia móvel. Mas lembrando da fala de um professor de filosofia, que certa vez disse em aula que aquilo que é do cotidiano, se bem analisado, torna-se extraordinário, me fez refletir sobre o celular. Permitam-me ‘filosofar’ um pouco a cerca desta ferramenta para a qual o mundo voltou os olhos e que tomou um significado sui generis na cultura midiática.

O que diria McLuhan hoje se visse que o telefone com fio, – que ele chamou de extensão do ouvido e da voz - tornou-se sem fio, portátil e híbrido, reunindo outras mídias nele? Sim, por que é isso que está acontecendo. O celular congrega hoje  jornal, rádio, televisão, música e cinema. A própria internet, até pouco tempo dona dos holofotes, rendeu-se a cultura da mobilidade via celular. Hoje, por exemplo, quando fui checar o resultado da mega-sena para minha mãe, vi na página inicial a guia ‘acesse via celular’. Outro dia lendo uma revista de TV, vi que nas primeiras páginas tinha uma caixa de texto ”Minha novela no celular”. É como, se hoje, tudo girasse em torno desse pequeno aparelho.

Se antes nós íamos atrás da informação, hoje, ela vem até nós. Todos os veículos estão criando um setor para produção de conteúdo móvel, visando alcançar o novo sujeito que está em qualquer lugar, conectado ao mundo via celular. Isto, por sua vez, me fez lembrar das palavras da Gisele Beiguelman¹ quando questiona ’se de fato rumamos para a tão alardeada convergência de mídias, ou se, ao contrário, o que se impõe é um cenário de leitura distribuída em inúmeras mídias’?. Bom, uma coisa não anula a outra. Está havendo sim a convergência e também está havendo distribuição de conteúdo em inúmeras mídias, pois as novas mídias, geralmente, incorporam a principal característica das anteriores. Nos concentremos no cinema. O cinema começou na tela grande, em salas escuras, fechadas, passou para a televisão, uma tela menor, localizada na sala. Então, veio o computador e o cinema foi parar na internet. Hoje, ele está no celular, mas sem deixar de estar nas grandes telas, na televisão e no pc. O mesmo acontece com a indústria fonográfica, com a televisão e com as agências de notícias. O celular estabelece novas linguagens, estéticas e formatos na cultura midiática, tanto nos produtos feitos para celular como nos  feitos por celular e aí temos os inúmeros festivais especializados para essas produções.

Também não se pode deixar de tocar na questão do usuário que, por sua vez, usa o celular para estabeler novas formas de sociabilidade. A palavra de ordem dos espaços urbanos é mobilidade e essa tal mobilidade potencializa os conceitos tão difundidos de interatividade, cultura pariticipativa e conteúdo colaborativo. André Lemos² considera que o celular e as mídias móveis, em geral, suscitam uma nova categoria midiática: as mídias pós-massivas, pois descentralizam o pólo de emissão de conteúdo, podendo qualquer um produzir informação.

A discussão é recente e o celular ainda vai dar muito o que falar. Mas quem diria que ele causaria todo esse rebuliço? O povo da sci-fi ficou tão atrelado a um futuro tecnológico guiado por teletransporte, carros que correm na velocidade da luz, robôs quase humanos que mal pôde imaginar um futuro que fosse moldado por uma tecnologia prática que cabe no bolso.

Polyana Amorim

¹ BEIGUELMAN, Gisele. Entre hiatos e intervalos (a estética da transmissão no âmbito da cultura da mobilidade). In: Imagem (Ir)realidade: comunicação e cibermídia. Denise Araújo (org). Porto Alegre: Sulina, 2006.

²LEMOS, André. Comunicação e prátcias sociais no espaço urbano: as características dos dispositivos híbridos móveis de conexão multirredes (DHMCM). In: Revista Comunicação, Mídia e Consumo, São Paulo, v.4, n.10, p.23-40, jul 2007.

Informação coletiva (apontamentos sobre o twitter II)

24/08/2009 por hiperinterativos

trending topicsAlgo que chama bastante atenção no twitter são as tags, palavras precedidas do símbolo # (o hashtag ou jogo da velha como é popularmente conhecido) e que indica que o post ou tweet está relacionado ao tema da tag. É algo parecido com as marcações que fazemos no blogs, você redige o texto e indica três palavras de marcação, como se fossem as palavras-chaves do texto.

O uso das tags no twitter gerou até um ranking, chamado de Trending Topics. O TT lista as 10 tags mais comentadas diariamente.

Um exemplo do uso de tags foi o episódio do falecimento do cantor Michael Jackson. Segundo o site twitterbrasil, o twitter registrou 25% de tweets sobre o assunto, sendo que 4,4 % desses tweets partiram de contas brasileiras.

Geralmente, as tags giram em torno de artistas da cultura pop, filmes, eventos e fatos que tiveram grande repercussão na mídia em geral. O twitter também traz tags fixas como #musicmonday, onde a pessoa indica a música que está ouvindo na segunda-feira e #followfriday que é a tag para indicar o novo perfil que o usuário está seguindo na sexta-feira. Assuntos políticos também são pautados como o #iranelection e o #forasarney que repercutiu em sites de notícias, TV e impressos.

A essa prática podemos aplicar a denominação de construção coletiva da informação que para Alex Primo é o simples fato de o internauta observar as impressões dos outros sobre o tema e colocar a sua também, construindo intricadas trilhas hipertextuais.

O usuário pode acompanhar os comentários sobre as tags numa ferramenta de busca que há no twitter. Ao digitar a tag na lacuna, aparecerão todos os tweets sobre o assunto, do mais recente ao mais antigo. Assim, ele pode acompanhar o desenrolar da tag no twitter e fazer o seu comentário pra engrossar a discussão. As tags no twitter possibilitam um debate aberto, interativo, imediato e sem restrições, onde qualquer um tem espaço para falar, ou melhor, twittar.

 

Polyana Amorim

Twipertexto (apontamentos sobre o twitter I)

16/08/2009 por hiperinterativos

twitterO twitter é hoje uma das redes sociais mais populares do mundo virtual e do real também. Houve quem dissesse que ele não despertaria o interesse dos internautas por ter uma função muito simples, se comparado às outras redes sociais cheias de dispositivos, com layouts coloridos etc., mas a crescente adesão ao twitter, fez o mundo voltar seus olhos para este microblog, como alguns o denominam.

O twitter permite que o usuário utilize no máximo 140 caracteres por tweets, que seriam os posts num blog convencional. Ele nasceu como uma ferramenta de conversação – e ainda o é -, mas à medida que sites de notícias, de empregos, de vendas, de pesquisas, de eventos e tantos outros foram criando suas contas, o twitter tornou-se um hiper-hipertexto que vem condicionando os hábitos de seus usuários.

Antes, o internauta, ao conectar-se, abria várias janelas na internet, para o email, para o blog, para um site de relacionamentos, para uma página de notícias de sua preferência e assim por diante. A partir das primeiras, ele vai abrindo páginas e mais páginas, pelos links dispostos, montando uma teia hipertextual de informação. Com o twitter, o internauta abre, no máximo, três páginas*, para o blog, para o email e, agora, para o twitter.

 É no twitter que o ususário constrói sua teia informacional, pois lá, já estão todos os links que podem lhe interessar, tendo em vista que os sites que antes ele visitava um a um, agora estão entre seus followings.

Quando digo que o twitter é um hiper-hipertexto, refiro-me ao fato de ele reunir diversos links com conteúdos bem distintos. O twitter pode me oferecer um link com detalhes sobre a bolsa de valores e logo abaixo, um link com dicas para cuidar da pele, por exemplo. No hipertexto convencional, os links são sempre relacionados ao conteúdo central da discussão.

Mas existe um ‘ponto’ central no twitter também que liga todos esses links diferentes, esse ponto é o próprio usuário. Afinal, é ele quem determina o que vai estar linkado na sua página inicial do twitter, a partir da sua lista de followings, que por sua vez, traduz seus interesses. Se, de repente, os links não agradarem: #unfollow neles!

 

 

*esses dados são meras suposições baseadas na minha própria experiência enquanto internauta.

 

Polyana Amorim

www.twitter.com/PolyAmorim

6 Fórum Internacional de TV Digital

07/08/2009 por hiperinterativos

6º Fórum Internacional de TV Digital

Para quem quiser antecipar a viagem para Curitiba (Intercom) passando pelo Rio, uma dica:
6º Fórum Internacional de TV Digital
28 de agosto de 2009
10h às 18h
Arte SESC Flamengo – Rua Marques de Abrantes, 99 – Flamengo
Rio de Janeiro/RJ
INSCRIÇÕES GRATUITAS

O Fórum Internacional de TV Digital, organizado anualmente pelo IETV, reúne profissionais para discutir a política e os padrões de implantação das plataformas de construção e consumo audiovisual pela sociedade brasileira. Nessa edição, o Fórum está focado nas questões mais relevantes em torno da mobilidade. Veja a programação.

Morno ou talvez HÍBRIDO. Posso incluir Bruno Latour na discussão?

17/07/2009 por hiperinterativos

Nos comentários ao post anterior, Alberto coloca uma coisa muito importante: pensar além dos suportes.

Começo a entender que esse é o ponto central de todas as discussões sobre tecnologia.

Nesse sentido, o que a Polyana diz faz todo sentido: WebTV propõe (ou deve propor) algo além do convencional, um potencial de múltiplas possibilidades humanas e não-humanas; que, de todo modo, está essencialmente voltado à transformação do social.

Retomando Mcluhan (hoje, vendo de outra forma) não existe algo menos participativo que a TV, talvez, só o jornal impresso (o que se tenta mudar a qualquer custo). No entanto, influências de meios como o cinema, o livro e, até mesmo, o rádio podem contribuir no sentido de incluir a imaginação e a criatividade no processo. Essenciais à comunicação dita participativa.

E se no sentido técnico, a idéia central é convergência, então, da mistura entre frio e quente, além do morno, encontramos o HÍBRIDO.

Precisamos incluir Bruno Latour na discussão, pois para ele, a idéia de conexão está sempre aberta a negociações. As noções de imediatismo e ampliação ao grau máximo, hoje, predominantes nas gramáticas midiáticas, geram grandes distorções e, ao contrário do que propõe a noção de rede para Latour, não estão abertas à transformação (ou participação). Isso, em algum sentido, incluir o próprio Twitter.

Um evento acontecido mês passado no Museu de Arte Moderna (RJ) discutiu muito dessas questões: Colóquio Internacional – Cinema, Tecnologia e Percepção – novos diálogos. Pesquisando pelos autores, vocês podem ter acesso a coisas interessantes: “As técnicas de reprodução digital habilitaram uma reconfiguração do dispositivo cinematográfico clássico e uma abertura para a convergência multimídia, anunciando novos regimes de imersão, agenciamento e interatividade que põem em crise o espaço clássico de exibição do filme e os conceitos tradicionais de imagem, cinema e espectador”.

Também tenho um artigo que depois encaminharei o link, no sentido de ampliarmos as discussões para além do espectro da tecnologia pura e simples.

Mas, já podemos continuar a discussão… Bjs.

Patrícia Azambuja
patriciaazambuja@yahoo.com.br

Pensando McLuhan na era da internet

13/07/2009 por hiperinterativos

Herbeth Marshall McLuhan, um dos papas da comunicação, fez uma análise bastante pertinente em seu livro Os meios de comunicação como extensões do homem*. Além de lançar a célebre expressão: o meio é a mensagem, McLuhan também estabelece uma classificação dos meios em frios e quentes.

Resumidamente, McLuhan chama de meios quentes os meios que nos dão uma informação ‘completa’ sem margem para dúvida ou questionamento, ao contrário dos meios frios que nos deixam ‘completar’ a informação, ajudando a construir a mensagem.

Ao analisar a internet à luz dessa classificação mcluhaniana, especificamente as webtvs e os canais de vídeo, fica difícil encaixá-la em uma das categorias. Se de um lado ela é um meio quente por nos dar uma informação completa com várias referências, várias fontes e formatos (vídeo, áudio, texto, gráficos), por outro lado ela é um meio frio ao nos dar espaço para complementar as informações através dos comentários nas páginas dos sites, nos blogs e nos canais de vídeo.

Para ilustrar melhor, recordemos o recente episódio da morte do astro do pop Michael Jackson. Na internet, as webtvs ‘profissionais’ como Terra e Uol, assim como as TVs convencionais, fizeram uma cobertura completa do episódio, desde o boato da morte até a confirmação e, a partir daí, tivemos matérias e mais matérias sobre o laudo médico, os fãs, a família, a guarda dos filhos e tantos outros assuntos que surgiram em torno da morte de MJ, todos muito bem detalhados pra não deixar qualquer dúvida, mas, ainda assim, os internautas através dos canais de vídeo como o Youtube também se manifestaram sobre o episódio, seja em forma de homenagem ao ídolo, seja opinando sobre as diversas polêmicas que surgiram. Criaram até um site, eternalmoonwalk, onde fãs do mundo todo gravam seus moonwalks e postam lá, numa espécie de corrente virtual.

Então, a internet é quente ou fria? Acho que devemos inserir a categoria morna na classificação do McLuhan.

 

*McLuhan, Marshall. Os meios de comunicação como extensões do homem. São Paulo: Cutrix, 2007. 15º ed.

 

Polyana Amorim