Cultura móvel: ‘o futuro já começou’

Enviado em 1_Experiementações por hiperinterativos em 06/09/2009

Nada do que direi aqui é novidade, principalmente aos pesquisadores da comunicação, cibercultura e tecnologia móvel. Mas lembrando da fala de um professor de filosofia, que certa vez disse em aula que aquilo que é do cotidiano, se bem analisado, torna-se extraordinário, me fez refletir sobre o celular. Permitam-me ‘filosofar’ um pouco a cerca desta ferramenta para a qual o mundo voltou os olhos e que tomou um significado sui generis na cultura midiática.

O que diria McLuhan hoje se visse que o telefone com fio, – que ele chamou de extensão do ouvido e da voz - tornou-se sem fio, portátil e híbrido, reunindo outras mídias nele? Sim, por que é isso que está acontecendo. O celular congrega hoje  jornal, rádio, televisão, música e cinema. A própria internet, até pouco tempo dona dos holofotes, rendeu-se a cultura da mobilidade via celular. Hoje, por exemplo, quando fui checar o resultado da mega-sena para minha mãe, vi na página inicial a guia ‘acesse via celular’. Outro dia lendo uma revista de TV, vi que nas primeiras páginas tinha uma caixa de texto ”Minha novela no celular”. É como, se hoje, tudo girasse em torno desse pequeno aparelho.

Se antes nós íamos atrás da informação, hoje, ela vem até nós. Todos os veículos estão criando um setor para produção de conteúdo móvel, visando alcançar o novo sujeito que está em qualquer lugar, conectado ao mundo via celular. Isto, por sua vez, me fez lembrar das palavras da Gisele Beiguelman¹ quando questiona ‘se de fato rumamos para a tão alardeada convergência de mídias, ou se, ao contrário, o que se impõe é um cenário de leitura distribuída em inúmeras mídias’?. Bom, uma coisa não anula a outra. Está havendo sim a convergência e também está havendo distribuição de conteúdo em inúmeras mídias, pois as novas mídias, geralmente, incorporam a principal característica das anteriores. Nos concentremos no cinema. O cinema começou na tela grande, em salas escuras, fechadas, passou para a televisão, uma tela menor, localizada na sala. Então, veio o computador e o cinema foi parar na internet. Hoje, ele está no celular, mas sem deixar de estar nas grandes telas, na televisão e no pc. O mesmo acontece com a indústria fonográfica, com a televisão e com as agências de notícias. O celular estabelece novas linguagens, estéticas e formatos na cultura midiática, tanto nos produtos feitos para celular como nos  feitos por celular e aí temos os inúmeros festivais especializados para essas produções.

Também não se pode deixar de tocar na questão do usuário que, por sua vez, usa o celular para estabeler novas formas de sociabilidade. A palavra de ordem dos espaços urbanos é mobilidade e essa tal mobilidade potencializa os conceitos tão difundidos de interatividade, cultura pariticipativa e conteúdo colaborativo. André Lemos² considera que o celular e as mídias móveis, em geral, suscitam uma nova categoria midiática: as mídias pós-massivas, pois descentralizam o pólo de emissão de conteúdo, podendo qualquer um produzir informação.

A discussão é recente e o celular ainda vai dar muito o que falar. Mas quem diria que ele causaria todo esse rebuliço? O povo da sci-fi ficou tão atrelado a um futuro tecnológico guiado por teletransporte, carros que correm na velocidade da luz, robôs quase humanos que mal pôde imaginar um futuro que fosse moldado por uma tecnologia prática que cabe no bolso.

Polyana Amorim

¹ BEIGUELMAN, Gisele. Entre hiatos e intervalos (a estética da transmissão no âmbito da cultura da mobilidade). In: Imagem (Ir)realidade: comunicação e cibermídia. Denise Araújo (org). Porto Alegre: Sulina, 2006.

²LEMOS, André. Comunicação e prátcias sociais no espaço urbano: as características dos dispositivos híbridos móveis de conexão multirredes (DHMCM). In: Revista Comunicação, Mídia e Consumo, São Paulo, v.4, n.10, p.23-40, jul 2007.

Twipertexto (apontamentos sobre o twitter I)

Enviado em 1_Experiementações por hiperinterativos em 16/08/2009

twitterO twitter é hoje uma das redes sociais mais populares do mundo virtual e do real também. Houve quem dissesse que ele não despertaria o interesse dos internautas por ter uma função muito simples, se comparado às outras redes sociais cheias de dispositivos, com layouts coloridos etc., mas a crescente adesão ao twitter, fez o mundo voltar seus olhos para este microblog, como alguns o denominam.

O twitter permite que o usuário utilize no máximo 140 caracteres por tweets, que seriam os posts num blog convencional. Ele nasceu como uma ferramenta de conversação – e ainda o é -, mas à medida que sites de notícias, de empregos, de vendas, de pesquisas, de eventos e tantos outros foram criando suas contas, o twitter tornou-se um hiper-hipertexto que vem condicionando os hábitos de seus usuários.

Antes, o internauta, ao conectar-se, abria várias janelas na internet, para o email, para o blog, para um site de relacionamentos, para uma página de notícias de sua preferência e assim por diante. A partir das primeiras, ele vai abrindo páginas e mais páginas, pelos links dispostos, montando uma teia hipertextual de informação. Com o twitter, o internauta abre, no máximo, três páginas*, para o blog, para o email e, agora, para o twitter.

 É no twitter que o ususário constrói sua teia informacional, pois lá, já estão todos os links que podem lhe interessar, tendo em vista que os sites que antes ele visitava um a um, agora estão entre seus followings.

Quando digo que o twitter é um hiper-hipertexto, refiro-me ao fato de ele reunir diversos links com conteúdos bem distintos. O twitter pode me oferecer um link com detalhes sobre a bolsa de valores e logo abaixo, um link com dicas para cuidar da pele, por exemplo. No hipertexto convencional, os links são sempre relacionados ao conteúdo central da discussão.

Mas existe um ‘ponto’ central no twitter também que liga todos esses links diferentes, esse ponto é o próprio usuário. Afinal, é ele quem determina o que vai estar linkado na sua página inicial do twitter, a partir da sua lista de followings, que por sua vez, traduz seus interesses. Se, de repente, os links não agradarem: #unfollow neles!

 

 

*esses dados são meras suposições baseadas na minha própria experiência enquanto internauta.

 

Polyana Amorim

www.twitter.com/PolyAmorim

Hqtrônica: narrativa multissequencial e colaborativa

Enviado em 1_Experiementações por hiperinterativos em 03/05/2009

O ato de leitura requer um envolvimento e concentração para que o leitor absorva e entenda o conteúdo. Geralmente, o leitor busca um ambiente tranquilo e confortável para mergulhar na história.

Esse é o motivo pelo qual os e-books não me agradam. O ambiente virtual é um ambiente de dispersão de onde jorram informações de todos os lados em todos os formatos (áudio, vídeo, gráficos…) e à medida que a curiosidade do internauta aumenta, ele desbrava mais e mais sites, construindo, dessa forma, seu próprio hipertexto, uma “história” particular.

Os e-books, embora estejam na internet ou arquivados no PC, exigem o mesmo nível de concentração de uma leitura convencional. O maior obstáculo para que o consumo de e-books aumente, é sem dúvida a prática da leitura. Eu confesso que tentei, mas não dá pra ler “Os Irmãos Karamazov” no computador.

Não sei se os criadores dos e-books já chegaram a versões menos cansativas para contornar o problema, mas o pessoal dos quadrinhos encontrou uma maneira de adaptar as comics ao mundo virtual. Trata-se de um formato de HQ digital que o pesquisador Edgar Franco chamou de HQtrônicas.

As HQtrônicas são quadrinhos eletrônicos (como o nome sugere) que exploram a hipertextualidade da internet.

As primeiras experiências datam do início dos anos 2000 (armazenadas em cds) e nessa época tinham poucos recursos como efeitos sonoros, animação e botões de comando para ‘passar a página’.
HQtrônica Impulse Freak

HQtrônica Impulse Freak

Hoje, temos narrativas multilineares, ou seja, a mesma história tem vários desdobramentos e o leitor/internauta escolhe que caminho seguir. E, além de acompanhar, o leitor/internauta pode também interferir na história criando outros desdobramentos, são as hqtrônicas colaborativas que tem uma mesma história contada por diversas pessoas.

Impulse freak é uma hqtrônica colaborativa onde o leitor pode elaborar uma das sequências da história, interagindo com o autor principal e outros internautas – na verdade aqui o papel de autor principal dá lugar aos co-autores . Na página de visualização dos quadrinhos  da Impulse freak, você tem caminhos diferentes a seguir e se quiser retornar pode voltar por um caminho diferente, criado por outra pessoa. A história ganha novo sentido a cada caminho que você segue. Vale conferir: http://www.sito.org/synergy/ifreak/hotwired

 

 

Polyana Amorim

polyanamorim@hotmail.com

Produção independente na TV aberta: pluralização do conteúdo

Enviado em 1_Experiementações por hiperinterativos em 26/04/2009

O último texto pode ter soado um pouco radical e, por isso, gerou uma discussão bastante calorosa.

Sinto-me, porém, na responsabilidade de ser justa com a TV, não que eu vá ‘desdizer’ o que disse, mas sim, apresentar o lado da TV que experimenta e tenta mudar os gêneros padronizados. Parafraseando Arlindo Machado, vou “deslocar o foco para a diferença iluminadora, aquela que faz expandir as possibilidades expressivas desse meio [a televisão]“.

independentePois bem, como eu disse no último texto, a TV tem se reinventado pouco, a maioria dos programas segue na mesma. Paralelamente a isso, existe uma tímida corrente que atua mesmo dentro das grandes emissoras, como na Rede Globo, que se propõe a fazer coisas novas ou mesmo reciclar os antigos formatos e aqui eu destaco a participação das produtoras independentes.

A Rede Globo, por mais antagônico que pareça, é a que mais investe em produção independente, na verdade, ela foi pioneira nisso. Eu sempre procuro pensar o porquê: será que ela dá espaço por acreditar nos novos talentos ou é só pra tê-los sob domínio? Talvez sejam as duas coisas…

O que importa é que os independentes estão ganhando espaço na televisão aberta, trazendo uma produção diferenciada, novas visões, ou seja, estão pluralizando o conteúdo televisivo.

Com a crescente convergência das mídias, numa realidade não tão distante o que vai contar não é o tipo do veículo, mas sim o conteúdo abordado. Na mútua relação de complementação e competição entre a TV, o PC e o celular, é o tipo de produção que vai fazer a diferença. Nada mais propício que buscar gente nova no ‘submundo’ do audiovisual.

Torno repetir: isso é de maneira bem tímida. Os independentes não dominam o horário nobre nem sequer chegam a emplacar um percentual razoável na programação da TV brasileira. Volta e meia a gente vê produtos com cara nova, um especial no Fantástico ou uma micro-série que passa bem tarde.

O que fica pendente é a interação com o telespectador e eu acho que isso é problema da TV como um todo, sendo independente ou não. E além do quesito tecnologia, tem também o fator político que na TV aberta conta muito, por isso mesmo a discussão em torno do modelo de TV digital que está sendo implantado no país paira no ar até hoje.

Polyana Amorim

polyanamorim@hotmail.com

Exemplificação

Enviado em 1_Experiementações por hiperinterativos em 08/04/2009

l-studioComo não achei justo jogar a farinha no ventilador e sair correndo, venho aqui com um exemplo!

Descobri recenetemente um  canal(?) chamado L Studio. Trata-se de uma produtora de webconteúdo diversificado: Seriados, programas de entrevistas, documentários e etc. Não se trata do primeiro caso , mas é um bom exemplo pelos nomes envolvidos.

Neste portal podemos encontrar uma série chamada Web Therapy. A Dra. Fiona Wallace é uma psicanalista que está cansada de ouvir os sonhos e aflições das pessoas e vê na terapia através de video-chat uma forma de manter a distancia saudável necessária para tratar seus pacientes, e também de ter o total controle da sessão quando ela simplesmente coloca o paciente no “mudo” quando tenta expor seu ponto de vista (!).

O elemento cômico principal da idéa por trás desta série, a duração rizível de 5 minutos a cada sessão,  é o pulo do gato pra justificar a curta duração dos episódios. E neste caso específico, ajuda a qualidade técnica do produto o fato dos envolvidos no projeto serem grandes nomes da TV americana  (Lisa Kudrow, protagonista e co-roteirista, é atriz premiada e que figurou entre as mais bem pagas do mundo durante 6 anos consecutivos ao integrar o elenco do fenômeno Friends nos anos 90; Don Ross, diretor e roteirista, é o nome por trás de filmes como Oposto ao Sexo, sucesso também nos anos 90).

Vasculhando o conteúdo, é possível achar um making of que, para os olhares atentos, é curiosissímo de se ver. Percebam como a série é filmada em um minúsculo estúdio com uma câmera que traz dois mini monitores que simulam a disposição das janelas de video-chat dos personagens; No mesmo making of é interessante ver também Lisa Kudrow finalizar sua fala falando do formato e pontuando que a internet ainda a assusta.

No acervo do canal há outros produtos com grandes nomes envolvidos e bom aproveitamento do vídeo na internet, colocando lá dentro todos os conceitos da discussão que apenas citei no post abaixo. No site, é possível ainda deixar opinião sobre os vídeos, acessar “extras” sobre a produção, indicar à amigos e bater papo com outros usuários.


ps.: Cheguei a esse site através de uma entrevista de Lisa Kudrow no “The Ellen Degeneres Show“, um talk show diário que é exibido no Brasil pela TV por assinatura com um atraso de quase uma semana e que vejo diariamente no Youtube, gratuitamente óbvio, com atraso de algumas horas! Isso é hipertexto ou não é?

Pedro Canto

pedrodealmeidacanto@gmail.com

twitter.com/pedrocanto

[Parênteses para a palavra impronunciável]

Enviado em 1_Experiementações por hiperinterativos em 29/03/2009

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Discutindo em torno das possibilidades de interação emergentes do novo espaço digital, sempre me pergunto (e os posts anteriores evidenciam isso) se estamos lidando com alguma coisa tão nova.

Da mesma forma enigmática, me deparo com a discussão que John Law trava sobre a questão do método em Ciências Sociais e a necessidade de mudança.

Se tudo deve ser construído a partir de práticas sociais, evitando sempre a purificação dos métodos e permitindo a criação de novas conexões de rede, assim como de nossas próprias versões, é profundamente estimulante (mas, enigmática) a aproximação (em Law) que percebo acontecendo com as apreensões de mundo feitas por Walter Benjamin, com a “metáfora” do anjo de Paul Klee, com o inconsciente surrealista, e, de certa forma, com a proposta de alegoria que “dá voz ao silêncio”, também presente na obra aberta de Umberto Eco.

Assim, não posso deixar de pensar em Herbert Marcuse, que, apesar de teórico crítico, já dizia que “a verdade da arte reside no seu poder de cindir o monopólio da realidade estabelecida”.

São associações impensáveis: teoria do ator-rede, teoria crítica, arte e comunicação?

Caso entenda a obra de arte como bem material, classificado e catalogado por um grupo seleto de “especialistas”, acho que sim. Mas, quando percebo a sua dimensão estética e condição de bem imaterial que poucos têm acesso, essa “conexão” torna-se inevitável para mim.

Algumas obras “expostas” no festival de arte e tecnologia FileRio2009 na Oi Futuro parecem comprovar essa condição tão material da arte presente do imaginário coletivo e parecem apresentar-nos “brinquedos tecnológicos”. Não fazem nenhum sentido à primeira vista, quando o único sentido só é possível quando “imergimos” no universo proposto pelo artista, fazendo “emergir” o objeto materializado na própria pessoa, que não pode estar ausente no processo fruição. Caso contrário, só veríamos luzes piscando, objetos metálicos e uma grande dor de cabeça no futuro. Do não sentido, podemos tirar uma proposta concreta: alguma coisa só faz sentindo quando nos permitimos senti-la/ percebê-la integralmente e não apenas vê-la, para isso, a inserção no processo é essencial. Seja esse processo qual for, podendo ser artístico, ou mesmo, científico.

Se nossas conexões são ontológicas (e políticas), como afirma John Law, não consigo deixar de pensar nas palavras do prof. Dr. Jorge Coelho quando cita Walter Benjamin: “devemos fazer um esforço intenso e permanente para construir um mundo onde a arte possa criar em nós uma sensibilidade capaz de resistir à barbárie”.

 

Patrícia Azambuja
patriciaazambuja@ufma.br

Interatividade II

Enviado em 1_Experiementações por hiperinterativos em 20/03/2009

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Pensar o conceito de interatividade nos dias atuais implica em um descolamento de uma realidade estanque, simplesmente associada a uma nova tecnologia emergente. Não é só tecnologia, mas, passa por ela. Não é só a digitalização da tecnologia, mas, a partir dela retomamos essa discussão. Por certo, que as práticas no ato de ver/ler (portanto, absorver informações) mudaram ao longo do tempo. Para Roger Chartier, a revolução do livro eletrônico está relacionada à revolução no suporte da escrita, mas, também nos hábitos de leitura: o livro em rolo e a impossibilidade de anotação e fixação de pensamentos próprios em oposição “extrema” ao jornal que “aproximou” leitor e editor através da seção de cartas. Tais renovações de práticas são, portanto, legitimadas por ações espontâneas dos leitores ao se depararem com novos suportes, suportes estes que permitem novas formas de pensar e que, por outro lado, comungam com um domínio diferenciado, privilegiando o imprevisível.

Neste ponto, a popularização da fotografia e do cinema no mostrou uma grande possibilidade de conexão entre homem comum e mundo social, como nos relata Walter Benjamin, e ampliou ainda mais a idéia de abertura e de interação com a obra. Passa-se, sutilmente, a abandonar uma herança (que não é simplesmente atual) do livro unitário, de narrativa linear e dedutiva para um contexto de escrita coletiva. A fotografia e o cinema já possibilitavam isso. É inegável como o potencial de imersão nas narrativas visuais (audiovisuais, ficcionais ou não) favorece a idéia de liberdade e de participação do receptor na obra (com a ampliação da imaginação criativa), fortalecendo experiências interativas na relação obra/leitor (ou estrutura hipermidiática/interagente… ou como acharem melhor).

Daí, podemos perceber que o conceito de interatividade (em voga nos dias de hoje) está além da relação automática, muitas vezes sugerida nas relações unilaterais e burocráticas de algumas propostas comunicativas.

É importante termos cuidado ao pensar novas possibilidades de produção, pois, as mudanças não são apenas técnicas e, possivelmente, todas as respostas já podem ter sido dadas por nossa “platéia”.

Vamos continuar o diálogo, amigos hiperinterativos.

Patrícia Azambuja
http://lattes.cnpq.br/3336806286084085

Interatividade I

Enviado em 1_Experiementações por hiperinterativos em 20/03/2009

http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.faberludens.com.br/files/imagepicker/f/fred/elefante.jpg&imgrefurl=http://www.faberludens.com.br/pt-br/node/247&usg=__UeylySuo6ATqlgerg6uxXE8SukY=&h=279&w=400&sz=8&hl=pt-BR&start=30&um=1&tbnid=DS0khTaEG_IF3M:&tbnh=86&tbnw=124&prev=/images%3Fq%3D%2522intera%25C3%25A7%25C3%25A3o%2522%26ndsp%3D18%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26start%3D18%26um%3D1

Parábola do 5 Cegos

Entender a comunicação como estrutura de mediação das relações humanas passa pela percepção de que essas possibilidades de relacionamento têm sua origem em pressupostos psicossociais, considerando a psicologia social como o conjunto de práticas responsáveis pelo entendimento das relações individuais e coletivas. Portanto, torna-se vital para a compreensão desses novos fenômenos culturais e comunicacionais – emergentes de uma realidade complexa e à procura de algum sentido -, uma maior articulação entre diferentes áreas do conhecimento, entre estas: comunicação, arte, sociologia, psicologia, história etc.

Pensar a interatividade digital hoje não está muito longe de pensar a própria interação recorrente na estrutura dos relatos históricos. Até porque, a imprevisibilidade das realidades humanas pode ser entendida em profundidade assim, a partir do momento em que, a narrativa histórica não tem o propósito de deduzir ou induzir, mas, narrar, de forma autêntica, aspectos e experiências significativas em determinados contextos da história social.

Na literatura, por exemplo, a relato de Virgínia Woolf, não existe uma maneira única de absorver conhecimento. O previsível esbarra no exercício do imponderável, da escolha individual e de suas diversas experiências e interpretações. Entre autor e leitor não deve haver relação de poder, mas, sim, de cumplicidade. Emerge desse sentimento o conceito de obra aberta de Umberto Eco. São as relações de “liberdade consciente” e as múltiplas situações culturais que possibilitam a construção de conexões na rede de relações inesgotáveis, ao se estruturar qualquer obra de arte ou qualquer tipo de obra que pretenda gerar uma relação plena, livre e inventiva entre intérprete e autor.

Patrícia Azambuja
patriciaazambuja@ufma.br

Lost: um hiperseriado e um novo telespectador

Enviado em 1_Experiementações por hiperinterativos em 04/03/2009

Um dos produtos mais populares que procura experimentar com profundidade as possibilidades e perspectivas advindas do atual processo de convergência TV/internet é a série televisiva Lost, produzida e exibida pelo canal norte-americano ABC. Desde sua estréia em 2004, a série, que conta a estória de 14 náufragos perdidos em uma misteriosa ilha, se inova como um produto e pela relação que estabelece com seus espectadores.

Foi pensando nas novas possibilidades que a internet propõe enquanto uma extensão da TV – como a maior participação interativa do espectador e as novas possibilidades narrativas – que os produtores de Lost iniciaram um verdadeiro experimento, no qual o telespectador, hoje também um internauta, fosse fundamental. Configurada narrativamente como um produto com potenciais daquilo que Janet Murray conceitua como hiperseriado, a série Lost, com sua macro-estrutura, não-linearidade, pequenos (possíveis) protagonistas imersos em seus pontos de vista, e as centenas de lacunas misteriosas, revela-se complexa, um mundo amplo e repleto de possibilidades que inspira e incita a criatividade, inquietação e participação de um público que, estimulado pela própria série, se torna mais ávido para imergir-se e contribuir com a estória. Despertado o imaginário do espectador, o mundo vasto de Lost continua na internet, onde fóruns de discussão e comunidades virtuais debatem o conteúdo de cada episódio na busca de conclusões, compreensões e até de spoilers (informações sobre os fatos futuros de uma série ou filme que podem encerrar as surpresas). O debate ganha contornos profundos e a série, metaforicamente, abre links para temas distintos, os quais são pesquisados por alguns espectadores que buscam respostas e dicas dos autores.

Vê-se, então, em Lost, um telespectador-usuário que reivindica sua postura de interagente, não se portando mais como um simples receptor. A pesquisa, o debate e a exposição de suas perspectivas são tão importantes quanto a recepção do produto. E em si tratando de Lost, a recepção é incompleta, pois as lacunas, vãos e lapsos, são, ao fim dos episódios, sugestivos convites para que este telespectador defina os rumos da estória e as suas próprias conclusões, nesse caso, conclusões pessoais e rumos imaginativos, pois tal interatividade ainda não alcançou o ponto em que o telespectador define a trama de um filme, por exemplo, apenas pelo controle remoto.

Mas na lógica que rege a produção da série, a internet não se trata apenas de um veículo de repercussão do produto já veiculado na TV, ela funciona amplamente como um meio de distribuição do produto, que muitas vezes termina por ser recepcionado através do próprio monitor. Planejada ou não para ser uma série-experimento dessa convergência, a ABC legitimou toda a movimentação manifestada pelos seus espectadores na internet quando expandiu a marca Lost a outros produtos. A princípio, e timidamente, pelo livro Bad Twin, que contava histórias de um dos sobreviventes, não apresentado pela série. Nos anos subseqüentes, os jogos de realidade alternativa Lost Experience e Find 815 inseriam o telespectador, através da internet, na trama conspiratória da série, expandindo a visão deste para os novos rumos e amplitudes da estória, dando resposta com novas lacunas. Outro produto da marca Lost exclusivamente voltado para os telespectadores-internautas, mas dessa vez utilizando o celular como mídia, foram os Missing Pieces, pequenas cenas  complementares e intercalares da série chamadas popularmente de mobisódios e disponibilizadas pela ABC aos aparelhos celulares, e posteriormente distribuídos pelos internautas na rede. Mas os telespectadores de Lost, e pode-se dizer da atual televisão norte-americana, tornaram-se independentes, utilizando-se da internet como um complemento da TV, até quando não há tal incitação. Hoje, diversos programas televisivos são disponibilizados na rede, e da mesma forma os debates se tornam mais constantes.

Rafael Carvalhêdo

caiorafaelfranco@hotmail.com


MURRAY, Janet H. Hamlet no holodeck: o futuro da narrativa no ciberespaço [Trad. de Elissa Jhoury Daher, Marcelo Fernandez Cuzziol] São Paulo: Itaú Cultural: Unesp, 2003.

Novas diretrizes para a televisão

Enviado em 1_Experiementações por hiperinterativos em 25/02/2009

tv

 

 

Segundo Lúcia Santaella, “só haverá uma verdadeira convergência das mídias quando houver a integração entre a televisão e as redes, ou seja, com o advento da televisão interativa”. Embora ainda não exista, de acordo com a Santaella, a realidade de convergência das mídias está cada dia mais próxima da consolidação. Muitos estudos e experimentos têm sido feitos nesse sentido.

 

No campo do audiovisual, existem experiências que buscam a hibridização dos meios e a internet tem sido palco de algumas delas. A internet, por sinal, potencializou a mudança em alguns aspectos dos produtos audiovisuais, principalmente, nos quesitos linguagem e narrativa. Com a web também houve uma desconcentração da produção de informação que deixou de ser emitida só pelos grandes veículos de comunicação. Agora temos pequenos produtores que encontram espaço na rede mundial de computadores para exibir suas produções.

 

A linguagem televisiva deixou de ser exclusiva da televisão. As webtvs, por exemplo, são canais de TV veiculados na internet. Já existem emissoras que produzem 24 horas de programação para a web. Há também sites que reúnem inúmeros canais de vídeos feitos por internautas. Nas páginas do Joost ou do Mogulus o internauta pode criar sua TV online, na linha do “faça você mesmo”. Nesse tipo de site podemos mensurar o grande número de produções independentes, das caseiras às profissionais. Produções de todos os gêneros e nacionalidades que têm espaço garantido na internet. São registros dos mais diversos eventos, filmados com câmera digital, handcam e, principalmente, celular.

 

Os canais de TV e vídeo online cresceram espantosamente muito em conta do poder de interferência e participação que o internauta tem sobre o produto e principalmente, pelo fato de o internauta poder assumir o papel de produtor. Temos diversidade, interatividade e liberdade na web. Como a TV convencional reage a isso? Além de, hoje, as redes de televisão contarem com uma página na internet que disponibiliza vídeo on demand para o público, percebe-se também uma fragmentação do conteúdo televisivo em programas ou quadros com abordagem diferenciada, trazendo várias ‘janelas’ de informação sobre determinado assunto, numa tentativa de reconquistar o telespectador cada vez mais distante da alcunha de passivo. 

Polyana Amorim

polyanamorim@hotmail.com

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