Segmentar por quê?

Enviado em 2_Questões para Discutir por hiperinterativos em 31/05/2010

Interessante como a palavra segmentação está na pauta de discussões sobre processos comunicacionais, muito antes até que o próprio advento da internet. Revistas, jornais, programação de rádio, walkman, videocassete, controle remoto, conteúdos por assinatura, entre outros, todas estas ferramentas determinaram, de uma forma ou de outra, situações efetivas para o entendimento de estruturas segmentadas.
Entende-se, no entanto, tratar-se hoje de circunstâncias não apenas baseadas na técnica. Segmentar e interagir parecem realidades indissociáveis.
Especificamente, em roteiros para a hipemídia, antes de imaginar que a simples existência de um link seja um pressuposto para interação, importante perguntar o que poderá servir como estímulo para que ela venha a acontecer. A relação entre conteúdos e aspectos de usos, certamente, são instruções importantes a se considerar: cada aplicativo hipermidiático propõe uma estrutura, está inserido em um contexto, possui seus objetivos e deve ser entendido assim, dentro de universos bem específicos, pelo menos por enquanto. Considerando, inclusive, que estas estruturas são bem mais complexas que as estruturas convencionais.
Nosso primeiro desafio, portanto, seria como trabalhar de acordo com o Lev Manovich chama de “gramática do acesso”: no mix entre “antigas” formas de representação da realidade visual da experiência humana e os “novos” dados digitais? Como conciliar situações tão divergentes e porquê?
Por outro lado, também se constitui um desafio: entender de que maneira as “antigas” proposições em meios chamados convencionais poderiam servir de parâmetro para as estruturas em transformação. Um exemplo: o que a segmentação no jornalismo impresso, no rádio, na televisão por assinatura (ou na internet, porque não?) estabelece como rotina ou propõe como prática para novas mídias?
Desafio final: como analisar (a partir daí) proposições práticas e criativas para a programação da TV Digital.
Reflitam e levem sugestões para a sala (em cada equipe de trabalho).
Att.
Profa. Patrícia Azambuja

O espectador como produtor de conteúdo

Enviado em 2_Questões para Discutir por hiperinterativos em 04/10/2009

No quarto capítulo de seu livro, Cultura da Convergência, o escritor americano Henry Jenkins trata das produções amadoras ou de produtores independentes que se inspiram nos produtos oficiais lançados no mercado audiovisual. O que Jenkins enfatiza é que a expansão e consumo de novas tecnologias que agregam funções múltiplas, possibilitam que o usuário torne-se um emissor de conteúdo em potencial e esse conteúdo tem como principal meio de distribuição a internet. Para ele, “a web proporciona um poderoso canal de distribuição para a produção cultural amadora. Os amadores têm feito filmes caseiros há décadas; agora, esses filmes estão vindo a público” (p. 181)

O autor toma como exemplo as várias produções feitas a partir dos filmes Star Wars (Guerra nas Estrelas) e de como foi criado um mercado paralelo, por assim dizer, de produções alternativas, feitas por fãs, que fazem desde paródias filmadas em casa até produções dignas de Hollywood como George Lucas in Love, feita por um estudante de cinema da University Southern Califórnia (USC).

Assim, Jenkins desmembra as relações travadas entre consumidores e empresários do entretenimento, ponderando as vantagens e desvantagens que tais produções trazem para a indústria do audiovisual. uma coisa é certa, Star Wars não seria o sucesso que é, não fosse toda essa repercussão gerada, principalmente, pelas produções alternativas.

Alguns empresários já atentaram para o caráter publicitário e viral que esse tipo de produção tem. Um caso emblemático, na indústria da música, é o videoclipe “single ladies” da cantora Beyoncé Knowles que tem inúmeras reproduções postadas no youtube.

No Brasil, temos exemplo semelhante com a repercussão da “dança do siri”, criada pelos humoristas do programa Pânico na TV, que foi reproduzida por pessoas em todo o Brasil, dando visibilidade ao programa em outras mídias.

Mais do que estimular a reprodução dos produtos pelos fãs e telespectadores, a televisão, agora busca produções colaborativas, onde o telespectador participe da construção da narrativa como na série Norma, estrelada pela atriz Denise Fraga, que estréia hoje no programa fantástico, da Rede Globo.

Para Jenkins, as opções de mídias crescem constantemente, portanto, é mais seguro que as empresas incentivem a participação dos fãs para garantir fidelidade. “No futuro, produtores midiáticos terão de se ajustar às exigências de participação do consumidor, ou correrão o risco de perder seus consumidores mias ativos e entusiasmados” (p.183)

 

Polyana Amorim

Informação coletiva (apontamentos sobre o twitter II)

Enviado em 2_Questões para Discutir por hiperinterativos em 24/08/2009

trending topicsAlgo que chama bastante atenção no twitter são as tags, palavras precedidas do símbolo # (o hashtag ou jogo da velha como é popularmente conhecido) e que indica que o post ou tweet está relacionado ao tema da tag. É algo parecido com as marcações que fazemos no blogs, você redige o texto e indica três palavras de marcação, como se fossem as palavras-chaves do texto.

O uso das tags no twitter gerou até um ranking, chamado de Trending Topics. O TT lista as 10 tags mais comentadas diariamente.

Um exemplo do uso de tags foi o episódio do falecimento do cantor Michael Jackson. Segundo o site twitterbrasil, o twitter registrou 25% de tweets sobre o assunto, sendo que 4,4 % desses tweets partiram de contas brasileiras.

Geralmente, as tags giram em torno de artistas da cultura pop, filmes, eventos e fatos que tiveram grande repercussão na mídia em geral. O twitter também traz tags fixas como #musicmonday, onde a pessoa indica a música que está ouvindo na segunda-feira e #followfriday que é a tag para indicar o novo perfil que o usuário está seguindo na sexta-feira. Assuntos políticos também são pautados como o #iranelection e o #forasarney que repercutiu em sites de notícias, TV e impressos.

A essa prática podemos aplicar a denominação de construção coletiva da informação que para Alex Primo é o simples fato de o internauta observar as impressões dos outros sobre o tema e colocar a sua também, construindo intricadas trilhas hipertextuais.

O usuário pode acompanhar os comentários sobre as tags numa ferramenta de busca que há no twitter. Ao digitar a tag na lacuna, aparecerão todos os tweets sobre o assunto, do mais recente ao mais antigo. Assim, ele pode acompanhar o desenrolar da tag no twitter e fazer o seu comentário pra engrossar a discussão. As tags no twitter possibilitam um debate aberto, interativo, imediato e sem restrições, onde qualquer um tem espaço para falar, ou melhor, twittar.

 

Polyana Amorim

Morno ou talvez HÍBRIDO. Posso incluir Bruno Latour na discussão?

Enviado em 2_Questões para Discutir por hiperinterativos em 17/07/2009

Nos comentários ao post anterior, Alberto coloca uma coisa muito importante: pensar além dos suportes.

Começo a entender que esse é o ponto central de todas as discussões sobre tecnologia.

Nesse sentido, o que a Polyana diz faz todo sentido: WebTV propõe (ou deve propor) algo além do convencional, um potencial de múltiplas possibilidades humanas e não-humanas; que, de todo modo, está essencialmente voltado à transformação do social.

Retomando Mcluhan (hoje, vendo de outra forma) não existe algo menos participativo que a TV, talvez, só o jornal impresso (o que se tenta mudar a qualquer custo). No entanto, influências de meios como o cinema, o livro e, até mesmo, o rádio podem contribuir no sentido de incluir a imaginação e a criatividade no processo. Essenciais à comunicação dita participativa.

E se no sentido técnico, a idéia central é convergência, então, da mistura entre frio e quente, além do morno, encontramos o HÍBRIDO.

Precisamos incluir Bruno Latour na discussão, pois para ele, a idéia de conexão está sempre aberta a negociações. As noções de imediatismo e ampliação ao grau máximo, hoje, predominantes nas gramáticas midiáticas, geram grandes distorções e, ao contrário do que propõe a noção de rede para Latour, não estão abertas à transformação (ou participação). Isso, em algum sentido, incluir o próprio Twitter.

Um evento acontecido mês passado no Museu de Arte Moderna (RJ) discutiu muito dessas questões: Colóquio Internacional – Cinema, Tecnologia e Percepção – novos diálogos. Pesquisando pelos autores, vocês podem ter acesso a coisas interessantes: “As técnicas de reprodução digital habilitaram uma reconfiguração do dispositivo cinematográfico clássico e uma abertura para a convergência multimídia, anunciando novos regimes de imersão, agenciamento e interatividade que põem em crise o espaço clássico de exibição do filme e os conceitos tradicionais de imagem, cinema e espectador”.

Também tenho um artigo que depois encaminharei o link, no sentido de ampliarmos as discussões para além do espectro da tecnologia pura e simples.

Mas, já podemos continuar a discussão… Bjs.

Patrícia Azambuja
patriciaazambuja@yahoo.com.br

Pensando McLuhan na era da internet

Enviado em 2_Questões para Discutir por hiperinterativos em 13/07/2009

Herbeth Marshall McLuhan, um dos papas da comunicação, fez uma análise bastante pertinente em seu livro Os meios de comunicação como extensões do homem*. Além de lançar a célebre expressão: o meio é a mensagem, McLuhan também estabelece uma classificação dos meios em frios e quentes.

Resumidamente, McLuhan chama de meios quentes os meios que nos dão uma informação ‘completa’ sem margem para dúvida ou questionamento, ao contrário dos meios frios que nos deixam ‘completar’ a informação, ajudando a construir a mensagem.

Ao analisar a internet à luz dessa classificação mcluhaniana, especificamente as webtvs e os canais de vídeo, fica difícil encaixá-la em uma das categorias. Se de um lado ela é um meio quente por nos dar uma informação completa com várias referências, várias fontes e formatos (vídeo, áudio, texto, gráficos), por outro lado ela é um meio frio ao nos dar espaço para complementar as informações através dos comentários nas páginas dos sites, nos blogs e nos canais de vídeo.

Para ilustrar melhor, recordemos o recente episódio da morte do astro do pop Michael Jackson. Na internet, as webtvs ‘profissionais’ como Terra e Uol, assim como as TVs convencionais, fizeram uma cobertura completa do episódio, desde o boato da morte até a confirmação e, a partir daí, tivemos matérias e mais matérias sobre o laudo médico, os fãs, a família, a guarda dos filhos e tantos outros assuntos que surgiram em torno da morte de MJ, todos muito bem detalhados pra não deixar qualquer dúvida, mas, ainda assim, os internautas através dos canais de vídeo como o Youtube também se manifestaram sobre o episódio, seja em forma de homenagem ao ídolo, seja opinando sobre as diversas polêmicas que surgiram. Criaram até um site, eternalmoonwalk, onde fãs do mundo todo gravam seus moonwalks e postam lá, numa espécie de corrente virtual.

Então, a internet é quente ou fria? Acho que devemos inserir a categoria morna na classificação do McLuhan.

 

*McLuhan, Marshall. Os meios de comunicação como extensões do homem. São Paulo: Cutrix, 2007. 15º ed.

 

Polyana Amorim

A questão da credibilidade na internet e na TV

Enviado em 2_Questões para Discutir por hiperinterativos em 06/06/2009

Webjornalismo e jornalismo cidadão são duas correntes de produção de informação (interligadas) que têm ganhado adeptos no mundo todo. Os dois novos ramos de produção de conteúdo são pautados em livros, artigos, teses e claro, na própria internet.

Essa semana dois artigos postados no Observatório da Imprensa abordam o tema, emitindo opiniões divergentes. De um lado, um texto acredita que o webjornalismo ‘preza pelo interesse público’ e afirma a decadência da credibilidade dos meios de comunicação de massa.  No outro texto, acredita-se que ‘as velhas mídias jamais sumirão’ e, por sua vez, questiona a credibilidade dos blogs. Afinal, quem tem razão? Vamos refletir.

 Blogosfera: território livre para o interesse público

De Regiane Santos em 02/06/09

 “Frente à constante decadência de credibilidade dos mass media, à facilidade de acesso à Rede Mundial de Computadores e ao reduzido custo de manutenção, os blogs despontam como uma potente ferramenta para que os jornalistas-blogueiros cumpram a premissa básica de sua profissão: zelar pelo interesse público.

[...]

Ao publicar reportagens exclusivas na internet, os blogs assumem o papel da tradicional instituição jornalística, uma vez que “além de informar, denunciam o que está mal na política, na sociedade etc.” (RODRIGUES, Catarina), resgatando, assim, “o ideal iluminista de esclarecer os cidadãos, forjado no quadro das revoluções liberais de fins do século 18″ (RODRIGUES, Catarina).

[...]

Abordando temas que prezem pelo interesse público, “os blogs podem finalmente realizar, a uma escala nunca imaginada, a utopia democrática de permitir aos cidadãos em geral intervir diretamente nos assuntos da polis. Ao contrário dos media, que são instituições ou empresas tradicionais com a sua agenda própria, que condiciona necessariamente os seus jornalistas[...].”

 Leia o texto na íntegra

O futuro da internet: quem controla o controle remoto?

Por Cleyton Carlos Torres em 02/06/09

  “[...]

Ao contrário do que muito se diz, as velhas mídias (as mídias tidas por tradicionais, como a televisão e o jornal impresso) jamais sumirão. [...] em um mundo onde o número de títulos de jornais aumentou, ou em um país (o Brasil) onde mais de 90% da população é adepta ao televisor, não é tão impossível tais afirmações.

[...]O fato é que, de viver em um mundo onde os próprios usuários produzirão todo aquele conteúdo que irão consumir, a questão “credibilidade” se torna um pouco mais complicada.

[...]

Atualmente, de onde tiramos nossa matéria-prima para nutrir blogs ou páginas “alternativas” de informação? Da velha mídia. E o que acontecerá quando não mais existirem as velhas mídias? Tiraremos nossas informações de outros blogs, que tiraram de outros blogs, tornando todo o processo informacional um ciclo vicioso e altamente contaminado por amadorismo?

[...]

Quando a humanidade começar a produzir informação em massa e a consumir toda essa informação produzida por ela mesma, o que será válido e o que será descartável? Quem dita tais posições? Nós, de novo? E quem somos nós? O profissional capacitado, professor universitário, médico respeitado, ou um garoto de 15 anos? A questão é, a princípio, complexa e extremamente extensa. Quem controla o controle remoto? Talvez não saibamos quando dar play ou stop.”

 Leia o texto na íntegra

O fim do livro?

Enviado em 2_Questões para Discutir por hiperinterativos em 14/05/2009

eBook ReaderDesde a década passada já se faziam previsões a cerca da possível morte do livro, um dos instrumentos fundamentais na construção da civilização moderna. O modo de produção e a estrutura do livro cada vez mais se mostram inadequados quando comparados aos novos recursos informatizados, interativos e multimidiáticos que suprem e fomentam as necessidades e evoluções de um mundo contemporâneo. Os eBooks (eletronic book) são livros em formato digital que podem ser lidos em computadores, leptops ou nos eBook Readers, aparelhos portáteis próprios para leitura. São ferramentas como essas que – ligadas à internet ou unindo recursos de texto, hipertexto, áudio e vídeo – dão indícios de uma possível morte do livro.

Estudando comunicação, podemos perceber que em toda história da evolução da mídia sempre foram feitas as típicas previsões de que determinada mídia morreria numa implicação quase lógica ao surgimento de outra. Da mesma forma, dizem que as revistas e os livros estão com os dias contados devido às novas tecnologias e à nova forma de distribuição que se estabelecerá. A história das mídias comprova que a superação temporária de uma mídia sobre a outra, dentre tantas conseqüências, nos mostra o potencial de cada uma, da nova e da “ultrapassada”. A crise é comum, mas não é um atestado de óbito de uma mídia, e o livro tradicional, inevitavelmente, terá seus momentos críticos.

Se olharmos hoje para a revista impressa, por exemplo, perceberemos facilmente as suas particularidades e importâncias como uma mídia, características que provavelmente a estabeleceu e que pode garantir sua existência futuramente. No entanto, estamos em um momento diferenciado, o da convergência de mídias. A internet vai perpassar por todas as outras, que passarão a existir por outra formatação. E mesmo que a história constate que veículos de comunicação não são simplesmente substituíveis, não seria o que consideramos originalmente como livro, assim como o LP, apenas um instrumento ou recurso meramente substituível?

Na verdade, esse processo também permite o público descobrir o que cada mídia pode lhe oferecer, e é certo que perceberemos que a internet não oferece e nem vai oferecer o mesmo conteúdo que uma revista impressa, pois a própria internet e os seus produtores vêm definindo uma linguagem para esta um pouco diferente dos materiais impressos que conhecemos hoje. Mas se uma longa leitura na internet é inviável, em um dispositivo eletrônico digital como o eBook Reader todas as funções são voltadas para tal objetivo, desde o backlight (para leituras no escuro), passando pela capacidade de armazenamentos de dezenas de livros, até às novas formas de distribuição, mais baratas e eficazes. Será mesmo que as rígidas folhas de papel sobreviverão aos flexíveis recursos digitais?

ebookreader vrs livro

Quando iniciei este texto tinha a certeza de que o livro não morreria e que tudo não passa de uma típica especulação, tão comum nesse ciclo de invenção e renovação tecnológica. Nesse instante penso que as folhas impressas com cheiro de tinta certamente morrerão, mas o livro não. Pois o que seria o livro? Uma forma de armazenamento de conteúdo ou o caráter tipográfico? Seria considerado um livro apenas as resmas de folhas presas nas extremidades? Arlindo Machado define o livro como “todo e qualquer dispositivo através do qual uma civilização grava, fixa, memoriza para si e para a posteridade o conjunto de conhecimentos, de suas descobertas, de seus sistemas de crenças e os vôos de sua imaginação”.

Rafael Carvalhêdo

caiorafaelfranco@hotmail.com

www.ponto-d-vista.blogspot.com

Intercom Sudeste

Enviado em 2_Questões para Discutir,5_Publicações sobre... por hiperinterativos em 08/05/2009

Olá amigos,

Como sabem o Intercom Sudeste está acontecendo aqui no Rio de Janeiro (UFRJ).
Considerando que o tema central dos nossos trabalhos é a interação (no sentindo mais amplo da palavra), segue o link para o artigo que apresentei: “A interação na narrativa audiovisual: liberdade, subversão e mudança de comportamento”, fruto da busca pelo sentido dessa palavra tão popular nos dias de hoje (mas, como sabemos, bem mais antiga que a própria  tecnologia digital).

Outros trabalhos interessantes:
Artes e comunicações em convergência: a questão das narrativas na era digital

 Tecnologias digitais e a temporalidade contemporânea: análise do Newsreader Spectra Visual a partir da teoria das Materialidades da Comunicação

A Covergência entre Mundos Virtuais e de Novos Paradigmas de Produção

Pesquisem mais no DT Comunicação Multimídia.

Bjs

Patrícia Azambuja

Geeks de Star Trek, são Trekers. E de Lost, como são?

Enviado em 2_Questões para Discutir por pedrocanto em 27/04/2009

Ahn? Viagem no tempo? eu tô confusa!

Ahn? Viagem no tempo? Ai, eu tô confusa...

Este ano tem mais um filme de Star Trek estreando no cinema. A série dos anos 70 que criou uma legião de fãs que ainda hoje é mundialmente conhecide como os Trekers lançou moda e está para a TV como Star Wars está para o cinema.

Daqui há algum tempo, Lost não será diferente, mas sobretudo pela forma como leva as suas “explicações científicas” e teorias físicas e quânticas à sério. Isso tudo em um roteiro bem amarrado, como é, sendo difundido absurdamente, esmagadoramente, abundantemente e qualquer outro advérbio disponível, se torna um filão até óbvio no nosso tempo.

Tempo, aliás, é a maior brincadeira:

(o texto, a partir daqui, começa a tratar de spoilers sobre Lost)

Na atual fase da série, que envolve viagens no tempo e uma “bagunça” maior ainda na não-linearidade do enredo, é muito comum o usuário de Lost se ver perdido (dã), mas agora é muito engraçado como os próprios personagens estão experimentando a confusão de alguns usuários pela presença do tema “tempo não linear”.

Em recente cena, no episódio 5×11 (Whatever happend, happened), Hurley e Miles têm o diálogo típico de quem está tentando enteder Lost, ou qualquer outro produto que cai na armadilha da “viagem no tempo”. E é hilário ver Miles, que na minha opinião, nesta cena, representa os roteiristas, falar para Hurley, nós, suas explicações sobre como o tempo deixou de ser linear para eles e consequentemente para nós, mas no nosso caso não foi quando Ben girou a roda, mas sim quando nós vimos o olho do Jack Shephard abrir a primeira vez.

Segue aí a cena em questão que, de maneira bem metalinguística, é um alívio cômico em Lost, que está cada dia mais melodramático. Aliás, linguagem muito fechada na TV, melodrama dando lugar à metalinguagem… essa história eu já vi aqui no Brasil… Alguém arrisca um palpite? Ninguém? Acertou quem disse Betto Rockfeller (Tupi, 1973 – Brasil!)

É o fim?

Enviado em 2_Questões para Discutir por hiperinterativos em 18/04/2009

tv-lixo1

Um dia desses, eu estava vendo TV e conferindo as novidades da programação da Globo para este ano. Não foi nenhuma surpresa perceber que a maior novidade do telejornalismo não é voltada para a televisão e sim para o celular.

O Jornal Nacional, standard da emissora, passará a produzir mobvídeos com ‘mini-jornais’ para serem vistos no celular. Ainda não sei ao certo como vai ser a metodologia, se o usuário vai baixar o conteúdo de algum lugar ou se ele ao se cadastrar, pagando aquela taxinha, recebe diariamente o ‘mobjornal’.

Isso, por ora, não interessa, o que suscitou esse texto foi o fato de, mais uma vez, perceber como a televisão se mostra incapacitada (e eu penso que ela não seja) de desenvolver conteúdo e linguagem que sejam empregados no próprio meio para atrair a audiência que se dissipa diante de tanta tecnologia. Em vez de ela tentar se fortalecer, ela ramifica seu conteúdo, disponibilizando-o na internet, no celular, descentralizando a informação e incentivando o individualismo do telespectador.

Ué, Polyana, isso não é bom? Claro que é! Mas é estranho pensar que tal postura parte de um meio genuinamente de massa, o mais forte e popular que já existiu e que reinou por mais de 50 anos. É como se a TV estivesse jogando a toalha.

Se pensarmos bem, a televisão nunca sofreu grandes mudanças tecnológicas. Quando ela surgiu passou um bom tempo sendo um ‘rádio com imagem’, depois o sistema em cores apareceu e hoje temos a digitalização do sinal que seria a grande esperança por proporcionar interatividade etc, mas só trouxe melhorias à estética.

A televisão digital não tem agradado alguns pesquisadores europeus que evidenciam nela uma pseudo-interatividade, onde o telespectador digital só responde a comandos no aparelho, a tal interatividade reativa da qual Alex Primo fala.

Eu, particularmente, acho que não é o fim do poço para a TV. Mais do que se preocupar com uma estética atrativa, ela deve se preocupar com um conteúdo atrativo (fragmentado, horizontal e coletivo). Parece óbvio, mas se observarmos bem o próprio Jornal Nacional, por exemplo, notamos que a única coisa que muda é o estilo da bancada, o design do programa e o corte de cabelo da Fátima, mas o modo de produção e a estrutura da linguagem permanecem imutáveis. Não estou generalizando, mas a maioria das produções televisivas de sinal aberto ainda é assim.

Será que não há mais alternativa para a televisão? Será que espalhar seu conteúdo em outras mídias é a única maneira de ela sobreviver?

Eu, sinceramente, espero que não.

Polyana Amorim

polyanamorim@hotmail.com

Próxima Página »

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.