Retomar o trabalho…
Após longa ausência (no mergulho stricto da razão), precisamos retornar às atividades de campo. Nesse sentido, os <hiperinterativos> estão embarcando em nova empreitada de pesquisa.
O projeto “Performances Cognitivas em Interfaces Convergentes” propõe mapeamento das práticas de uso de suportes comunicacionais diversos, e partir daí, a descrição de alguns efeitos significativos dessa relação (considerada hoje em fase de transformação).
Algum aluno está disposto a participar desse projeto!!
patriciaazambuja@yahoo.com.br
Enfim… a qualificação!!!
Algumas situações me motivam hoje a pensar a relação do homem e suas práticas de comunicação. Algumas são experiências que vivi pessoalmente (como espectadora de cinema ou com a produção de vídeos digitais). Outras são reflexões pontuais em torno de descolamentos observados em algumas situações de uso mediáticos. São esses momentos, enfim, que me colocam em situação desconfortável sobre algumas proposições conformadas como regras e aceitas como verdades absolutas.
De todo modo, penso ser importante perceber como as tecnologias sempre estiveram relacionadas às nossas “capacidades”, no entanto, não nos reconhecendo mais como senhores no processo de capacitação. E, tentando uma fuga estratégica da noção de aprendizagem centrada nas habilidades humanas, busco concordar com o sociólogo Bruno Latour, para o qual devemos tentar compreender as tecnologias sem presumir a capacidade psíquica humana como definitivamente estabelecida, sendo, improvável, com isso, a sua transformação. Cognição, longe de ser atributo de um sujeito, passa a ser um efeito do enlace entre humanos e não-humanos, e dessa rede de relações que emergem das ações entre actantes podemos tentar estabelecer novas versões ou visualizar novos momentos para as práticas comunicacionais.
Entender, de alguma forma, que os objetos técnicos possuem, ao mesmo tempo, aspectos técnicos, materiais e sociais; e os processos de subjetivação (na relação homem-técnica) se estabelecem pela interação da técnica com a invenção do sujeito, promovidos, portanto, a partir de uma co-autoria entre tecnologia e aspectos psicossociais nessa rede em ação.
Tenho, portanto, como objetivo para este trabalho a proposta de mapear performances cognitivas que emergem nas práticas de uso em suportes comunicacionais diversos (impressos, telefones, televisão, internet etc.) e tentar compreender alguns efeitos na relação entre humanos e tecnologias. Para atingir o objetivo proposto, busco aproximação com a antropologia descrita pela teoria ator-rede, considerando, a necessidade de posicionamento simétrico em campo, no melhor sentido das palavras liberdade e abertura ao heterogêneo. Para que, assim, seja permitida a visualização a partir do múltiplo possível na rede a ser mapeada.
De alguma forma, o objeto de pesquisa, inicialmente envolvido em um campo de dinâmicas estáveis, poderá se mostrar interferindo e sofrendo interferências, constituindo situações atravessadas uma pelas outras e com potência suficiente para instituir outras possibilidades criativas. Universo de onde, possivelmente, também seja possível visualizar pequenos desdobramentos e efeitos sutis na formas de fazer de cada prática comunicacional. Abrindo, talvez, espaço para o debate sobre “novas” formas (apesar de nem sempre serem tão novas assim). Considero, portanto, na proposta metodológica da teoria ator-rede o potencial gerador para que os atores possam se expressar por eles mesmos, a partir de suas próprias narrativas, negociações, deslocamentos e transformações ocasionadas pelos vínculos instituídos na rede de relações.
Boa sorte pra mim, então!
